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Volta às aulas em Blumenau expõe problema de infrações cometidas em saída de escolas

Escola Pública levou lições de trânsito a estudantes nos primeiros dias letivos de 2019, mas infrações como estacionamento irregular em torno de colégios ainda é frequente

O retorno das aulas nas escolas de Blumenau traz de volta também alguns problemas que já se tornaram comuns perto dos espaços de ensino: os reflexos no trânsito. Não se trata apenas do aumento dos congestionamentos em ruas movimentadas, algo que já foi sentido nos primeiros dias desta semana. Outro problema comum são as infrações cometidas por motoristas na hora de deixar ou buscar os filhos no colégio. Fila dupla, estacionamento na contramão e em cima da faixa de pedestres são apenas algumas das situações flagradas em portas das escolas.

O problema já foi muito associado às três grandes escolas particulares do Centro, onde nesta semana a reportagem voltou a registrar motoristas estacionados em fila dupla por volta das 12h. Mas há bastante tempo essa dificuldade deixou de ser exclusividade dos colégios provados e ocorre também em unidades públicas de ensino, nos bairros.

Nesta semana, a Escola Pública de Trânsito (EPT), órgão ligado ao Seterb, promove palestras e entrega de materiais educativos para pais e alunos de cinco escolas municipais, uma em cada dia. As escolas foram escolhidas por terem o trânsito considerado mais delicado. Nas conversas com os alunos, entram temas como a importância de usar a faixa de pedestres, respeitar o semáforo e fiscalizar a conduta dos pais ao volante.

Até mesmo nessas escolas a saída dos alunos tem registro de infrações dos motoristas. Na EBM Gustavo Richard, no bairro Nova Esperança, a primeira a receber a ação da EPT, na segunda-feira, quando o sinal anunciou o fim das aulas no período da tarde, havia carros estacionados na contramão e em local onde a sinalização permitia apenas parar – que segundo a lei de trânsito vale apenas para o tempo suficiente para embarque ou desembarque. Segundo os pais que vão buscar os filhos na escola, as infrações se repetem a cada dia na saída dos alunos.

Nas escolas municipais e estaduais, a guarda de trânsito é a principal responsável por ao menos amenizar o problema. O diretor de Trânsito de Blumenau, Jailson Rogério Cândido, explica que atualmente há agentes de trânsito em 28 escolas municipais e estaduais nos horários de entrada e saída de alunos. Eles auxiliam na travessia de alunos e na orientação do trânsito, além de monitorar possíveis infrações.

Nesta semana, a Escola Pública de Trânsito promove palestras e entrega de materiais educativos para pais e alunos de cinco escolas municipais, uma em cada dia

Videomonitoramento é uma opção de apertar o cerco

Mesmo nos colégios em que os agentes estão presentes o diretor explica que alguns motoristas insistem em parar em locais indevidos ou cometem infrações como a ausência de cinto de segurança e de cadeirinha. A esperança de menos infrações em alguns desses locais reside na implantação do videomonitoramento. A partir do dia 18, a prefeitura deve iniciar duas semanas de conscientização e divulgação aos motoristas desse novo formato de fiscalização.

– Com essas 28 escolas, nosso efetivo acaba às vezes não sendo suficiente para flagrar outras instituições que têm essa movimentação (de veículos que param em locais proibidos em horário escolar). Mas acreditamos que após iniciar o videomonitoramento, previsto para março, esses equipamentos vão nos dar essa condição de ver a irregularidade e aplicar autuação sobre ações que comprometem a segurança. Vamos identificar pelas câmeras e, se o motorista não se adequar, fazer a abordagem pessoal – explica o diretor.

Cidade teve 5,8 mil multas relacionadas a estacionamento em 2018

Em 2018, o Seterb registrou 2,5 mil multas por estacionamento em local ou horário proibido pela sinalização. Já os casos de fila dupla somaram apenas 10 notificações. Nem todos são casos de infrações cometidas em horário de saída de escolas, mas dão uma dimensão da incidência no ano passado. Entre todas as infrações relacionadas a estacionamento proibido – que incluem também parada sobre ciclovia ou faixa de pedestres –, o total de infrações chegou a 5,8 mil em Blumenau em 2018.

A parada por poucos minutos em fila dupla pode até parecer inofensiva, uma infração que para alguns poderia ser relevada. Mas o diretor de Trânsito de Blumenau, Jailson Rogério Cândido, explica que além de retardar o fluxo de veículos, ela faz com que a parada e a abertura de portas para embarque e desembarque ocorra em uma pista, onde passam motocicletas ou bicicletas, o que pode provocar risco de acidentes. Quando essas infrações ocorrem perto de um ambiente voltado à educação dos pequenos, o problema se torna maior.

O gerente da Escola Pública de Trânsito de Blumenau, Marco Rebello, que coordena as palestras de volta às aulas nos colégios esta semana, acredita que as lições repassadas às crianças nas ações e palestras podem mudar essa realidade por meio da nova geração.

– Os filhos acabam se tornando multiplicadores dessa conduta ética no trânsito. Eles acabam fiscalizando os próprios pais, para que eles não cometam essas ações de imprudência. A partir das crianças a gente pode começar a fiscalizar de outra forma os adultos – aponta Rebello.

Multas de estacionamento em 2018

- Estacionar em local/horário proibido especificamente pela sinalização: 2.590

- Estacionar em desacordo com regulamentação especificada pela sinalização: 982

- Estacionar em local/horário de estacionamento e parada proibido pela sinalização: 569

- Estacionar no passeio: 515

- Estacionar em ciclovia ou ciclofaixa: 85

- Parar em local/horário proibido especificamente pela sinalização: 63

- Estacionar em desacordo com as posições estabelecidas no CTB: 34

- Estacionar na faixa de pedestre: 25

- Estacionar sobre canteiro central ou pista de rolamento: 15

- Estacionar ao lado de outro veículo em fila dupla: 10

Fonte: Seterb

Problema ocorre também em escolas particulares

Nas escolas particulares do Centro, os agentes de trânsito não atuam, mas pessoas contratadas pelos colégios orientam pais e alunos nos horários de saída. Mesmo assim, o diretor de Trânsito explica que em pontos como o acesso ao Colégio Bom Jesus Santo Antônio, nas ruas Presidente John Kennedy e Sete de Setembro, e na Escola Barão do Rio Branco, na Rua Nereu Ramos, ainda é alta a incidência de veículos que param em fila dupla ou estacionam em desacordo com a sinalização.

A reportagem entrou em contato com as escolas. O Bom Jesus informou que solicita o apoio do Seterb, mas segundo a escola o órgão alega que não tem efetivo para atender todas as escolas. O colégio também informou que já fez campanhas de carona solidária e que oferece a disciplina de "Educação para o Trânsito" nas turmas de ensino integral, para que as crianças cobrem dos pais atitudes éticas e solidárias no trânsito.

O professor Marcos da Silva, diretor-geral da Escola Barão do Rio Branco, afirmou que o assunto já é tratado há oito anos em conjunto com os diretores das outras escolas privadas da área central, Seterb e ex-prefeitos. Ele explica que o problema do trânsito na frente de escolas ocorre no país inteiro e já pediu ao Seterb para que as vans escolares pudessem usar o corredor de ônibus – o pedido, no entanto, teria sido negado. Segundo ele, isso poderia ser um incentivo a essa modalidade de transporte. Ele defende que ações como a criação de cooperativas de vans poderiam fazer essa opção ser mais adotada pelas famílias. Esses veículos hoje podem parar dentro do pátio, em um espaço criado pelo colégio.

Marcos cita outros problemas como o colapso no transporte coletivo que a cidade enfrentou, o aumento da frota e até a geografia da cidade. Apesar disso, reconhece que as novas calçadas e a mudança da Rua Nereu Ramos para mão-única melhoraram parcialmente o problema. A escola também incentiva a carona solidária entre pais que moram próximos e adotou horários diferentes de entrada e saída entre as turmas, para diminuir o impacto no trânsito.

– A escola comprou dois terrenos e está estudando o projeto arquitetônico, com autorização da prefeitura, para fazer uma área interna maior de embarque e desembarque. Talvez não vá ser concluído até o fim do ano, mas a escola comprou com esse objetivo – explica o professor.

Fonte: https://www.nsctotal.com.br/noticias/volta-as-aulas-em-blumenau-expoe-problema-de-infracoes-cometidas-em-saida-de-escolas