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Serviço de compartilhamento de bicicletas e patinetes elétricos deve chegar em breve a Joinville

Cinco modais desenvolvidos por startup joinvilense estão sob teste, via aplicativo, e prometem ser uma alternativa para melhorar a mobilidade urbana

Prática que vem ganhando, aos poucos, o trânsito das grandes cidades mundo afora, o uso dos patinetes e das bicicletas elétricas promete despontar em breve em Joinville através de uma startup “de casa”. A AllMobility está desenvolvendo e testando no Ágora Tech Park, cinco modais elétricos que pretende lançar nas ruas da cidade a partir de agosto. O poder público também dá sinais de que está se preparando para abarcar essa nova realidade, tida como um dos caminhos para ajudar a reduzir os problemas de mobilidade urbana.

Os equipamentos contemplam patinetes, bicicletas e três modelos de scooter, com hardware chinês e tecnologia operacional da própria startup. Tudo deverá ser disponibilizado por meio de um serviço de baixo custo que viabiliza o aluguel mensal ou o compartilhamento diário das máquinas via aplicativo (cobrado por minuto rodado). A ideia é que o produto possa ser usufruído por qualquer cidadão.

— Não queremos ser um meio de transporte, mas um meio de locomoção no qual o usuário vai poder utilizar o equipamento de forma integrada aos modais de transportes já disponíveis nas cidades — afirma Jean Cardoso, CEO da AllMobility.

A rigor, a iniciativa tem autonomia para rodar até 20 quilômetros e vai permitir que as pessoas se desloquem de sua origem até seu destino para curtas e médias distâncias. Será possível, por exemplo, utilizar o serviço como meio de conexão entre lar, trabalho e terminais de ônibus ou para passear. Haverá ainda a modalidade de carga, ou seja, o aparelho elétrico pode servir de ferramenta para gerar renda nos serviços de entregas.

— Queremos atacar a necessidade da população no que envolve os desafios da mobilidade. Hoje 44% dos deslocamentos no Brasil ocorrem a pé, por bicicleta ou motocicleta, o que deve incentivar a adesão das pessoas ao nosso ecossistema de hardwares — completa Cardoso.

Objetivo é integrar todos os modais

Batizado de ‘goMOOV’, o sistema teve seu processo de testagem iniciado no dia 28 de março, data de lançamento do Parque Tecnológico de Joinville, no Perini Business Park, e continua passando por validações. Há tratativas também em conjunto com o município para implantar um modelo seguro, confortável e que sirva de alternativa de locomoção sustentável.

A intenção é de que depois de lançado em Joinville, o projeto se espalhe em poucos meses para as cidades próximas de Jaraguá do Sul, Blumenau, Itajaí, Balneário Camboriú e São José. A ambição da startup joinvilense, no entanto, é ainda mais elevada: em cinco anos quer estar presente em 650 cidades (12% do total de municípios brasileiros).

— A gente não quer apenas replicar as novas formas de mobilidade existentes fora do país, por isso estamos fazendo questão de se aproximar do poder público e escutá-lo para entender o que se espera de nós e como podemos colaborar com o interesse da cidade — reforça Jean Cardoso.

A iniciativa é vista com bons olhos pela Prefeitura de Joinville. Segundo Danilo Conti, secretário de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável, o Executivo trabalha e discute uma pré-minuta de lei com a Procuradoria-Geral do Município (PGM) em torno do tema. A proposta é adaptar a legislação para as novas tecnologias no que tange a mobilidade.

— Quando se pensa exclusivamente sobre mobilidade não tem como desenhar um urbanismo de vanguarda sem estudar os avanços da micromobilidade, como se caracteriza o uso de compartilhamento de bicicletas, patinetes e scooters elétricos. Então essa é uma questão fundamental para seguir adiante (no plano de smart city), porque trata-se de uma solução que vai ter um papel importante na integração de modais — aponta o secretário.

A expectativa é de que essa minuta seja discutida no Conselho da Cidade logo após o parecer da PGM e possa ser discutida na Câmara de Vereadores já no segundo semestre deste ano. A regularização do serviço é necessária até para trazer maior respaldo jurídico para quem vir a explorar o serviço na cidade.

— A princípio não vai haver uma concessão de uso exclusivo, isso pode mudar se optarmos em ter um sistema de transporte ativo integrado ao sistema de transporte público, como o que já ocorre em Fortaleza (CE) — sinaliza Conti.

Participação do Poder Público é fundamental

Única startup joinvilense com foco específico em mobilidade até o momento, a AllMobility destaca a proatividade do Município em regularizar o serviço e espera que isso corrobore com medidas necessárias para viabilizar a implantação dos veículos elétricos na Região. Há torcida para melhorias de infraestrutura e aumento das ciclovias, ciclorrotas, ciclofaixas e calçadas compartilhadas.

“Tomamos precauções para que nosso sistema seja o mais seguro possível. As mudanças disrupturas acontecem quando alteramos o ‘status quo’ das corporações e das pessoas, e quando esse movimento ocorre, ele depreende uma energia muito grande para colocar uma solução ao invés de um problema na rua” destaca a AllMobility.

— Nossos modais estão limitados a velocidades que, caso aconteça um acidente, ele tenha o menor impacto possível - máximo de 10 km/h para bicicletas e patinetes e entre 40 e 60 km/h para as mini scooters e scooters. Isto aliado ao cuidado dos cidadãos e uma boa infraestrutura garantem a aplicação do serviço — informa Jean Cardoso.

Para Danilo Conti, atualmente Joinville já apresenta boas condições para a implementação do uso de bicicletas e patinetes elétricos, mas ainda tem muito a evoluir.

— Comparando Joinville com as capitais brasileiras, é a cidade no Brasil que tem maior média per capita de ciclovias, quando é feita a média por quantidade de ruas (2,2 mil em Joinville). Em números absolutos, está em 4º lugar. Isso mostra que já temos um volume de ciclofaixas acima da média nacional, mas é preciso melhorar — aponta.

Dentre os caminhos que devem ser considerados para abarcar a nova demanda, está o trabalho de conexão das malhas de ciclovias isoladas existentes na cidade. Outro fator é a revisão e atualização do Plano Viário de Joinville - datado de 1973 - que já está com licitação em curso e promete visar mais a integração de modais do que a projeção de novas vias.

— A solução de mobilidade para Joinville não é o transporte individual, então a nossa expectativa para o Plano Viário é discutir novos modais; uso de tecnologia; como a integração desses modais pode acontecer de maneira mais inteligente; como isso será financiado; e como será o uso desses novos sistemas para que a população possa se deslocar de maneira mais sustentável — finaliza Danilo Conti.

Percepção de quem já utiliza o patinete elétrico

Em Joinville o uso dos modais elétricos surge nas ruas ainda de forma tímida, por meio de usuários avulsos, e já dão o tom do impacto que o serviço pode representar para a mobilidade urbana. Há cerca de dois meses, o bancário Daniel Müller, de 39 anos, decidiu deixar o carro na garagem e passou a usar um patinete elétrico (comprado na internet) nos dias de sol. O intuito foi o de utilizar o equipamento no trajeto entre sua casa e o trabalho, na região Central, que contempla 6 km diários entre ida e volta. E ele garante: “o tempo perdido no trânsito ficou para trás, melhorou 1.000%”.

Conforme Daniel, além de a troca representar um carro a menos nos congestionamentos, ele consegue ter economia de tempo e praticidade no caminho, feito diariamente em ruas de grande circulação como as ruas Princesa Isabel e Ministro Calógeras e a Avenida Getúlio Vargas.

— Em um percurso de apenas três quilômetros, de carro, eu chegava a levar de 30 a 40 minutos nos horários de pico. Com o patinete elétrico, demoro de oito a 10 minutos mesmo andando devagar — justifica.

Outro fator é a economia no bolso. O equipamento é carregado em casa e leva cerca de cinco horas para recuperar a autonomia da bateria, de cerca de 25 quilômetros por carga. O “abastecimento” dura ao menos três dias.

Daniel acredita ainda que, a medida em que novos cidadãos passem a utilizar esse transporte ativo, será necessário que as intenções da prefeitura em melhorar a infraestrutura de calçadas e ciclovias já estejam em execução, uma vez que é fundamental para garantir mais segurança no trânsito.

— É um mercado em expansão, que logo deve crescer em Joinville. Então apesar de ser um meio de locomoção seguro, é preciso que as pessoas tenham consciência de sua própria segurança e atentem o olhar para os pedestres, mas também é necessário que a Prefeitura resolva a questão das calçadas inadequadas, que hoje só são percebidas por quem as utiliza — afirma Daniel Müller.

Fonte: https://www.nsctotal.com.br/noticias/servico-de-compartilhamento-de-bicicletas-e-patinetes-eletricos-deve-chegar-em-breve-a